REVOLTA

Ontem desliguei a TV, muito antes do tempo normal que levo para adormecer.  Estava inquieto, angustiado, revoltado depois dos noticiários.  Caramba! Não dá mais para desligar, virar pro lado e dormir com um bombardeio de informações nefastas. Sigo, mais ou menos, um ritual de milhões de pessoas no mundo, que usam as telinhas ou telões de tv de plasma para se distrair, para se abstrair da realidade, para se sentir acompanhado. Tem gente que liga a TV automaticamente só para escutar vozes ao redor e espantar a solidão. Ainda não cheguei a esse ponto e, tomara, nunca chegue. Ainda tenho a capacidade e a sensibilidade de me estarrecer diante de tanta crueldade, tanta barbárie.  Os crimes se sucedem e apagam aqueles que já não ocupam espaço na mídia.  Quem fala mais do rapaz português assassinado a facadas em frente aos pais na praia de Copacabana que um dia já foi a “princesinha do mar”?  O crime nauseante do João Hélio já deu lugar aos três franceses assassinados pelo rapaz que era beneficiado por eles.  Ontem em um tiroteio a mocinha de treze anos é atingida nos rins e coluna correndo o risco de ficar paraplégica.  Os crimes acontecem com tamanha velocidade, que nem bem digerimos a contra gosto uma notícia, lá vem outra mais estonteante. Ficar paraplégico é mais um tracinho na escala ascendente das estatísticas. Quem se importa? Já está tão comum, tão vulgar, que a gente passa batido e atropela a notícia. Como dizem: a fila anda. Não aqui no Brasil. Aqui a fila corre, em breve estará voando. Tenho vergonha da minha pátria amada que povoa os jornais estrangeiros com letras ensangüentadas. Também tenho medo, como todos vocês, de que uma bala perdida me ache aleatoriamente. Também tenho deixado de ir a lugares que adoraria freqüentar porque a violência já chegou por aqui.  Antes era só o Rio. Depois vieram São Paulo, Vitória e Belo Horizonte. Hoje é também Recife, Belém, Fortaleza e todas as demais cidades que antigamente eram ilhas de conforto, descontração e tranqüilidade. Salvador bateu o recorde de violência este ano em seu carnaval, que era só alegria até há pouco.  Vivi, e graças a Deus que o fiz, os melhores anos do Rio de Janeiro quando chegava de reuniões, festas e festivais pela madrugada olhando o céu e contando estrelas. Como não ser saudosista? Como admitir tudo o que foi subtraído da minha pátria?

Como conviver com tamanha revolta no peito e fazer de conta que isso tudo é normal? Que é assim mesmo, que não tem jeito, que é melhor deixar pra lá. Como viver cada um por si e acreditar que Deus, em sua infinita bondade, protege uns e abandona outros?

            Enquanto isso os políticos adiam a votação da maioridade penal para quando houver quorum, para quando muitos mais já não tiverem voz para vociferar contra os maus tratos do nosso povo brasileiro, sofrido, humilhado, vilipendiado. Até quando, Senhor? Já não temo mais por mim, mas pelos filhos, sobrinhos e netos.  Como se não bastasse a ambição que devasta nossa esplêndida Amazônia, agora devastam nossa cuca já tão cheia de grilos.

            Que ainda haja tempo para inverter esse quadro que nos enoja e nos põe em risco cada vez que aspiramos por um Brasil decente, humano, solidário.

            Grande abraço,

Herbert

 

PREZADOS AMIGOS,

FIQUEI ALGUM TEMPO SEM ME COMUNICAR COM VOCÊS ATRAVÉS DE MEU BLOG, É VERDADE. ACREDITO TER SIDO POR UMA BOA CAUSA: ESTAVA ESCREVENDO MEU TERCEIRO LIVRO, AINDA SEM TÍTULO. DEPOIS QUE FIZ MINHA BIOGRAFIA AFLOROU EM MIM UMA ENORME VONTADE DE ESCREVER MAIS E MAIS. ACREDITO PIAMENTE QUE OS TEXTOS JÁ ESTÃO PRONTOS EM NOSSAS MENTES, APENAS ESPERANDO UMA OPORTUNIDADE PARA SE MATERIALIZAREM. QUANTAS PESSOAS EU ENCONTRO QUE ME DIZEM:  “AH, MINHA VIDA DARIA UM LIVRO!”.  E É VERDADE. TENHO CERTEZA QUE VOCÊ TAMBÉM, QUE ESTÁ ME DANDO ESSA ATENÇÃO AGORA, JÁ DEVE TER PENSADO O MESMO, AFINAL DE CONTAS, DESDE O MOMENTO EM QUE NASCEMOS ATÉ O PRESENTE, QUANTAS COISAS NÃO FORAM ESCRITAS EM NÓS, POR NÓS, OU PARA NÓS.  UM POUCO DE HABILIDADE NO MANEJO DAS PALAVRAS, UM POUCO DE INSPIRAÇÃO E MUITO DE TRANSPIRAÇÃO, E LÁ NOS VEMOS DIANTE DE UMA OBRA. SE ELA AGRADA A ALGUNS, BOM. SE ELA AGRADA A MUITOS, ÓTIMO. MAS SE ELA AGRADA A TODOS, ALGUMA COISA ERRADA ELA HÁ DE CONTER. NÃO IMPORTA. ESCREVER É UMA FORMA DE SE LIBERTAR DAS EMOÇÕES. DIFICILMENTE ESCRITORES PRECISAM DE ANALISTAS, POIS O ATO DE ESCREVER JÁ CONSTITUI POR SI SÓ UMA AUTO-ANÁLISE. JOGAR NO PAPEL TODA A FELICIDADE, OU OS DESGOSTOS, AS FRUSTRAÇÕES, AS ESPERANÇAS E AS LUTAS INTERNAS E EXTERNAS, EIS O CAMINHO. VALEMO-NOS DOS PERSONAGENS QUE CRIAMOS PARA SATISFAZERMOS NOSSOS EGOS E DARMOS VIDA AOS NOSSOS ALTER-EGOS.  JÁ QUE ESCRITORES SÃO COMO FALSOS DEUSES --- TEMOS O PODER DE CRIAR E DE DESTRUIR PERSONAGENS ---, LANÇAMOS MÃO DE NOSSAS CRIATURAS PARA, ATRAVÉS DELAS,  REALIZARMOS OUSADAMENTE TODAS AQUELAS FAÇANHAS QUE VÃO FICANDO PRA DEPOIS, TÃO DEPOIS, QUE NÃO HÁ MAIS TEMPO HÁBIL DE AS VIVENCIARMOS. E PARA QUE ELAS NÃO MORRAM SUFOCDADAS EM NÓS, DAMOS VASÃO A NOSSOS INSTINTOS, TANTO OS BONS QUANTO OS MAUS.

            FICA AQUI, PORTANTO, NÃO SOMENTE MEU PEDIDO DE DESCULPAS POR TANTO TEMPO AFASTADO, MAS TAMBÉM E PRINCIPALMENTE MEU ENCORAJAMENTO E ESTÍMULO A TODOS QUE  PRESCRUTAM DENTRO DE SI, LIVROS COMPLETOS, APENAS ESPERANDO UMA CHANCE, UM MOMENTO DE MENOS EGOISMO NOSSO, PARA QUE SE TORNEM REAIS.

            VAMOS ESCREVER. LIBERTE DE DENTRO DE SI, O LIVRO QUE LÁ EXISTE.

            GRANDE ABRAÇO,

HERBERT

 

                                                 

 

    Capa do meu novo livro "O Hábito de Pecar". A primeira edição está esgotada, estou providenciando a segunda.

Caros amigos eleitores,

Mais um horário eleitoral está aí, e mais uma vez o mesmo já vem emprenhando nossos ouvidos com bla-bla-blás e nhe-nhe-nhéns. É exatamente como se estivéssemos ouvindo os programas políticos de quatro anos, de oito ou doze anos atrás.  Prometem, prometem, metem, têm os mesmos falsos argumentos de que se neles votarmos o nosso Brasil se livrará da corrupção que leva uma percentagem enorme das verbas, que deveriam garantir um aumento mais digno pros velhinhos do INSS,  que poderiam gerar mais investimentos na área da educação, esportes etc., que deveriam nos livrar da bandidagem que nos cerceia para, pelo menos, dar uma trégua à violência que nos assola e nos mantém reféns em nossas próprias casas. Isso pra não falar da saúde pública que continua igualzinha, não obstante todas as promessas.  Está aí o espetáculo do crescimento: o crescimentos de todos os nossos males e mazelas públicas e sociais que nos afetam direta ou indiretamente.

Outro dia assitimos consternados ao assassinato brutal e gratuito de um turista português em plena luz do dia na ainda encantadora Copacabana.  Aí vem a polícia e diz com ar solene: Concluímos que precisamos de mais policiamento naquela área. Quantos turistas e filhos da nossa pátria amada ainda teremos que perder para que aqui não se mate três vezes mais que em qualquer guerra que esteja em curso no mundo ?  Quantos outros filhos perderemos para as drogas até que ela seja dizimada, para não dizer banida já que é impossível, do nosso solo de mãe gentil. Quantos pais e avós ainda teremos que ver morrer nas macas enferrujadas nos corredores dos hospitais? E o programa contra Aids que até pouco tempo atrás servia de referência para outros países?  A novela das oito está mostrando campos de refugiados portadores desse vírus na África enquanto o Hospital Gafré-Guinle aqui no bairro do Maracanã agoniza sem remédios. E além de tudo ainda temos que escutar promessas, promessas e mais promessas que sabemos vãs. Eles só não dizem que o maior objetivo deles é lhes garantir o posto de deputado, senador, vereador ou presidente para com isso, deitar e rolar nas mordomias, comer caviar, beber o melhor champagne, desfilar em carros luxuosos, cair na piscina de suas mansões e viajar de norte a sul do país ou do mundo, o Lula que o diga,  cuidando primeiramente mais e mais de seus interesses.  Se ainda sobrar algum, aí sim, vamos investir no povo de modo paternalista, de modo assistencialista, de modo que isso lhes garanta mais votos para a próxima eleição.

Socorro!!! Quem pensar diferente que me acuda enviando-me uma mensagem. Sinto-me perdido sem saber em quem acreditar, para quem dar o meu voto.  Mas, por favor, defenda sua opinião, se for capaz.

Que Deus nos proteja.

Herbert

             

MEUS AMIGOS,

            QUANTO DO QUE GOSTARÍAMOS DE FAZER,  NÃO O FAZEMOS POR PURA PREGUIÇA, MEDO, OU, PIOR AINDA, POR COVARDIA. QUANTOS DOS NOSSOS DESEJOS ESTÃO MARTELANDO NOSSAS CABEÇAS, LOUCOS PARA VIRAREM REALIDADE, E, MESMO ASSIM, NÃO OS SATISFAZEMOS.  É UMA COISA, É OUTRA, É UM DIA, É OUTRO, UM MÊS, OUTRO MÊS, E QUANDO NOS APERCEBEMOS JÁ SE PASSARAM ANOS.  DURO DE CONCLUIR, MAS A FILA ANDA. VOCÊ MESMO NÃO ACREDITA QUE POR MAIS UM POUCO DE EMPENHO, DE FORÇA DE VONTADE OU DE DETERMINAÇÃO, VOCÊ TERIA CONSEGUIDO REALIZAR AQUELA VISITA A UM AMIGO, A UM PARENTE QUE VOCÊ TEM CERTEZA QUE TE AMA E QUE HÁ TANTO TEMPO NÃO O VÊ.  LEMBRA DAS PROMESSAS QUE FEZ DE VOLTAR ÀQUELE LUGAR QUE TE FEZ TÃO FELIZ?  POIS É, CAIU NO ESQUECIMENTO.  SABE AQUELAS FÉRIAS QUE VOCÊ PLANEJOU QUE INCLUIAM AS MONTANHAS DE MINAS?  AS PEQUENAS E CURIOSAS CIDADEZINHAS DO VALE DO PARAÍBA, INCLUINDO APARECIDA? AS ÁGUAS DO PRATA OU DE LINDÓIA EM SÃO PAULO?  TALVEZ QUEM SABE CANELA E GRAMADO NO SUL E SE ABARROTAR DE CHOCOLATES?   OU DE UVAS, QUEM SABE, NOS PARREIRAIS DE SANTA FELICIDADE (PARANÁ),  OU DE VINHO NAS VINÍCULAS DOS MIOLO?

GARANTO QUE COM MUITAS DESSAS OPÇÕES VOCÊ JÁ SONHOU DE MONTÃO.  HÁ, ENTRETANTO,  OS QUE ESTEJAM DIZENDO:  CRUZ CREDO! SÓ VELHARIA.  MAS ESSA REAÇÃO É TÍPICA DE QUEM NÃO VALORIZA A NATUREZA, O NATURAL.   OS SABORES DELICADOS E SUTÍS DOS DOCES CASEIROS FEITOS NO FOGÃO À LENHA;  OU DOS MAIS FORTES E PERSONALIZADOS COMO OS DAS CACHAÇAS DOS ALAMBIQUES ONDE A FERMENTAÇÃO É NATURAL E A BRANQUINHA SAI PURINHA SEM CONSERVANTES NEM COLORANTES.  ESSA SIM: TE CONSERVA POR MAIS TEMPO E MAIS FELIZ.

            HÁ, PORÉM,  OS QUE SE AMARRAM NAS MICARETAS DO NORDESTE, OU MESMO DAQUI DE CABO FRIO (ESSAS PROS MAIS OUSADOS), ONDE VOCÊ REÚNE MUITO AXÉ, UMA GAROTADA ESBANJANDO BELEZA E SENSUALIDADE EM UM CENÁRIO DE DEIXAR QUALQUER UM ATÔNITO.  OUTROS SONHAM, PLANEJAM, E ADIAM, E ADIAM, E ADIAM, ATÉ MORRER AQUELE CRUZEIRO AQUI MESMO PELO BRASIL.  BAHAMAS,  CANCÚN, HAVAÍ,  AÍ, ANTES DO SONHO SE CONCLUIR,  O BOLSO JÁ ESTÁ BEM PESADO  SÓ EM PENSAR NOS DÓLARES, AINDA QUE ESTEJAM DESVALORIZADOS.  MAS QUE NADA:  NEM DE TREM, NEM DE ÔNIBUS, NEM DE NAVIO.  VAMOS FICANDO POR AQUI MESMO,  POR INSEGURANÇA,  POR  INDEFINIÇÃO, POR COMODISMO, OU SEJA LÁ POR QUE RAIO FOR;  SÓ SEI QUE FICAMOS ESTÁTICOS, SUPOSTAMENTE PROTEGIDOS NAS NOSSAS CASAS,  NOS NOSSOS BAIRROS, NAS NOSSAS CIDADES, POR MAIS VIOLENTAS QUE SEJAM.  E AÍ, CARO AMIGO, QUER POR PREGUIÇA, POR MEDO, OU POR COVARDIA, DEIXAMOS TUDO PRA LÁ, E VEMOS TUDO PELA TELEVISÃO:  AS CATARATAS DO IGUAÇU,  GENTE SALTANDO DE PARAQUEDAS,  OUTROS VOANDO EM ASA DELTA,  OUTROS EMBARCANDO NO  AVIÃO, OUTROS PULANDO CARNAVAL FORA DE ÉPOCA, OUTROS, AINDA,  VIAJANDO PRA UM HOTEL-FAZENDA E NÓS, NADA.  ACHAMOS QUE A FRENTE DO COMPUTADOR É O MELHOR, O MAIS SEGURO, O MAIS DIVERTIDO MEIO DE SE VIVER.

BEM, EU TIVE A FELICIDADE DE VIAJAR DURANTE AS FÉRIAS E APESAR DA PREGUIÇA , DO COMODISMO E DO MEDO, JÁ FUI, JÁ VISITEI LUGARES MARAVILHOSOS, ESTIVE COM PARENTES E AMIGOS QUERIDOS, ME DIVERTI PRA CARAMBA E ESTOU DE VOLTA, DOIDO PRA EMPURRAR VOCÊS TAMBÉM DE CASA PARA REALIZAREM SEUS SONHOS, AINDA QUE OS MAIS SIMPLES, QUE POUCO OU QUASE NADA REQUEREM DE NÓS PARA SEREM REALIZADOS.

VIAJE, VIAJE, VIAJE.  O RESTO É NADA.

HERBERT

 

           

 

 

 

 

 

 

             FINALMENTE A COPA ACABOU. NÃO, FELIZMENTE, COMO IMAGINAMOS VER NA FINAL:  BRASIL x QUALQUER UM QUE VIESSE.  TORCEMOS CALOROSAMENTE PELO NOSSO PAÍS.  TORCEMOS MORNAMENTE POR PORTUGAL, E NADA. NEM O FELIPÃO PRA DIMINUIR NOSSA FRUSTRAÇÃO.  MAS QUE ELES LUTARAM, AH, ISSO LUTARAM.  ALIÁS, TODOS LUTARAM BRAVAMENTE, MENOS OS FILHOS DA PÁTRIA, BRASIL.  QUEM DIRIA, HEIN?  O TIME QUE REUNIA OS MELHORES DO MUNDO SAIU PELAS PORTAS DO FUNDO.  ENFIM... FAZER O QUE? NÃO ESTAVA EM “NOSSOS PÉS”.

 

  MAS DISSO TUDO, PELO  MENOS, TIRAMOS UMA LIÇÃO: A DE NÃO  DEVERMOS COLOCAR TODAS AS NOSSAS ESPERANÇAS NUMA BOLA SÓ, DIGO, TODOS OS OVOS NUMA CESTA SÓ.  NA MAIORIA DAS VEZES APOSTAMOS TODAS AS CARTAS DO BARALHO EM UM OBJETIVO SÓ.  É QUANDO  ENCONTRAMOS UM NOVO ALGUÉM,  QUANDO ESPERAMOS A RESPOSTA DE UM NOVO EMPREGO, QUANDO MUDAMOS DE CASA, DE CIDADE, DE PAÍS.  E ESPERAMOS ARDOROSAMENTE QUE AQUILO ACONTEÇA DE ACORDO COM TODAS AS ESPERANÇAS QUE DEPOSITAMOS NAQUELE OBJETIVO.  PORÉM, A VIDA É LADINA.  ELA SABE O QUE É MELHOR PRA NÓS. E VAI QUE ELA NÃO PREENCHE NOSSAS EXPECTATIVAS, ÀS VEZES, NEM MESMO AS MAIS REMOTAS. E LÁ CAIMOS DO COQUEIRO, COMO DIZIA BILLY BLANCO,  “MAIS ALTO O COQUEIRO MAIOR É O TOMBO DO TONTO AFINAL”, E NOS DESPENCAMOS FEITO SACOS DE BATATAS PODRES.  PORTANTO, MEUS QUERIDOS,  NÃO DEPOSITEM TODOS OS OVOS NUMA CESTA SÓ. O RISCO É GRANDE EM TODOS OS ASPECTOS.   VIRAM A CARA DE BUNDA COM  QUE FICAMOS NAQUELE RESTO DE SÁBADO  E NO DOMINGO SEGUINTE?

ASSIM TAMBÉM NÃO DEVE SER COM NOSSOS PLANOS EM BUSCA DA FELI CIDADE.   DEVEMOS ABRIR O LEQUE E NÃO APENAS FOCAR UM ÚNICO GOL PARA NOS FAZER FELIZ.   USE OS DRIBLES, OS ESCANTEIOS, AS LATERAIS, OS TIROS DE META, E SE FOR O CASO, COBRE O PÊNALTI COMO UM ZIDANE PARA QUE A GENTE NÃO SE FRUSTRE TANTO (SEM DAR CABEÇADAS).  DIVERSIFICAR OBJETIVOS PARA QUE A GENTE NÃO FIQUE CHUPANDO O DEDO CASO AQUELE NÃO ACONTEÇA, EIS A QUESTÃO.  TENHA SEMPRE UMA BOLA (DUAS É MELHOR) SE POSSÍVEL TRÊS, QUATRO, PARA ATIRAR EM TODAS AS DIREÇÕES E FAZER MUITOS GOLS NA VIDA. 

ATÉ A PRÓXIMA. GRANDE ABRAÇO,

HERBERT

 

 

Copa do Mundo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Meus amigos do peito,

Mais uma copa está chegando aí,  e só ouvimos falar de nossas feras do futebol; só se vêem imagens da Alemanha e de copas passadas; as ruas embandeiradas demonstram a esperança que temos em conquistar mais um campeonato; fitas nas antenas dos carros e gente portando em suas camisas e bonés, com o maior orgulho, as cores da nossa festiva bandeira.  Há quem duvide que o Brasil vai conquistar o hexa?  Por falta de craques e ídolos é que não será.  Esse ufanismo pré-estabelecido a cada quatro anos, realmente nos contagia a todos, queiramos ou não;  entretanto, vocês não sabem o quanto eu queria que toda essa preparação fosse para dizermos: que  conquistamos um índice baixíssimo de violência,  já que não pode ser zero --- enquanto existir um ser humano sobre a terra haverá violência ---, que a saúde pública atende a todos com eficiência e tecnologia de ponta,  que saudamos  uma nova era sem analfabetismo, que estamos incluídos no primeiro mundo, enfim... razões não nos faltariam para ficarmos exultantes:  fosse pela nossa segurança nos parques, jardins, praças e praias das nossas belas cidades,  fosse porque não há mais filas intermináveis nos postos do INSS, fosse ainda porque todos os nossos irmãos sabem ler e têm empregos dignos que lhes garantem bem-estar. Agora, fazermos parte do primeiro mundo também já é querer demais. 

           Enquanto tudo isso não vem, que a gente se encha de orgulho dos nossos  Rrrrrrronaldinhos,  Rrrrrrrrrroberto  Carrrrrrrrrrrrlos,   Rrrrrrrrrrrrobinhos, etc. e  suas piruetas e malabarismos com a menor representação do mundo:  a bola que eles dominam tão bem.  E que tragam o HEXA para que, mais uma vez, o povo, inclusive eu,   sinta uma explosão de alegria no peito em cada gol do Brasil-il-il-il-il (agora com muito mais équio)

Boa copa! 
Boas comemorações!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MEUS AMIGOS,

ONTEM, FINALMENTE, APÓS ALGUNS ANOS DE TOTAL RELUTÂNCIA, RESOLVI E CONSEGUI DOAR MEUS TÃO QUERIDOS ELEPÊS.  É, EU AINDA SOU DO TEMPO DOS VINÍS, EMBORA TENHA CENTENAS DE CDs., TENHA BLOG, ORKUT E MINHA PRÓXIMA AQUISIÇÃO, AINDA QUE TARDIA, SERÁ UM MP3 PARA PENDURAR NO PESCOÇO E OUVIR AQUELES MILHARES DE MÚSICAS QUE ESSA GERINGONCINHA NOS PROMETE TOCAR.  SEI QUE A OUTRA SERÁ UM iPOD, E ESSE TAMBÉM LOGO ESTARÁ VELHO IGUAL A MEUS ELEPÊS.

TRAZIA-OS BEM ALI NAQUELE CANTINHO DO QUARTO, TÃO ESCONDIDINHOS QUE, POR MAIS QUE AS PESOAS ENTRASSEM NELE, NEM OS NOTAVAM, APESAR DE SEREM MAIS DE CENTO E CINQÜENTA.  EMPOEIRADOS E NÃO MAIS TOCADOS ELES NÃO INCOMODAVAM NINGUÉM A NÃO SER A MINHA IRMÃ QUE VIVIA DIZENDO:  QUANDO VOCÊ VAI SE LIVRAR DISSO?   O DISSO QUERIA DIZER TAMBÉM TODA A APARELHAGEM QUE OS TORNAVAM VIVOS E SONOROS.

LEMBRO-ME DA ÚLTIMA VEZ QUE ELE TOCOU GAL COSTA PARA NUNCA MAIS SE MEXER.  MORRIA ALI COM AQUELA VOZ  DOCE DE GAL  CANTANDO “LUZ DO SOL, QUE A FOLHA  TRAGA E TRADUZ...”.   FOI OU NÃO FOI UM FINAL FELIZ?  ENTRETANTO OUTROS SONS QUE SE CALARAM E AINDA CLAMAVAM PARA SEREM EXECUTADOS --- NELSON GONÇALVES, CARTOLA, ANGELA MARIA, CHICO BUARQUE, BETH CARVALHO, ALCIONE ETC. --- FICARAM INDIGNADOS, TENHO CERTEZA.

PENSANDO BEM, ACHO QUE CADA UM DAQUELES DISCOS REPRESENTAVA O MOMENTO FELIZ OU INFELIZ EM QUE EU OS COMPRARA, OU GANHARA, E ALI, EM SEUS SULCOS ESCAVADOS PELO USO, VINHAM IMPRESSAS TODAS AS MEMÓRIAS DE UMA DETERMINADA  SITUAÇÃO, GERALMENTE, DE AMOR:  O QUE NASCIA, O QUE SE MANTINHA, O QUE MORRIA. BASTAVA ESCUTAR OS PRIMEIROS ACORDES DA INTRODUÇÃO E LÁ ESTAVA  EU A RELEMBRAR ORA TRISTE, ORA ALEGRE, OS MOMENTOS QUE AQUELAS MÚSICAS TINHAM SOLIDIFICADO, EM UM  TEMPO QUE NÃO VOLTA MAIS.

E AS CAPAS?  UMAS CRIATIVAS, OUTRAS CAFONAS,  OUTRAS SIMPLESMENTE BELAS.  E CADA VEZ QUE EU AS MANUSEAVA COMPARAVA AQUELAS FIGURAS DO PASSADO ÀS FIGURAS DOS ARTISTAS NOS TEMPOS ATUAIS.  QUANTA DIFERENÇA!  COMO TODO MUNDO ENGORDOU, DE UM MODO GERAL.  HÁ, ENTRETANTO, OS QUE O TEMPO POUPOU, É CLARO.  AGORA, DE ENVELHECER NINGUÉM SE LIVROU,  ASSIM COMO EU.

  MAS, SUAS VOZES ENGROSSARAM, ENROUQUECERAM,  EXCETO A DA GAL QUE SE MANTÉM CRISTALINA EM QUALQUER CD LANÇADO HOJE EM DIA.

BEM, MAS VOLTANDO À VACA FRIA, DIGO, À VACA PROFANA,  TENHO QUE ADMITIR QUE MEU QUARTO FICOU MAIS LEVE, MAIS CLARO, E ATÉ MAIS ESPAÇOSO.  AFINAL DE CONTAS, AQUELES ELEPÊS GUARDAVAM UMA CARGA MUITO GRANDE DE EMOÇÕES,  NEM SEMPRE POSITIVAS.  MAS QUE DOEU, DOEU.

UM GRANDE E FORTE ABRAÇO PRA VOCÊS QUE JÁ TENDO SE LIVRADO DOS SEUS VINÍS HÁ MUITO, MUITO TEMPO, AINDA GUARDAM NA MEMÓRIA TODO O SIGNIFICADO QUE ELES REPRESENTARAM UM DIA.

HERBERT

 

INCERTEZAS

                               INCERTEZAS

Tenho sentido uma puta vontade de me apaixonar novamente. Aliás, estou sempre com vontade de me apaixonar. O problema é que se apaixonar dá um trabalho... Você tem que primeiro esvaziar o coração ainda cheio de outras paixões antigas que ainda rastejam em seu habitat natural. Aí, você puxa daqui, empurra de lá e vê que se desvencilhar delas é complicado. Imagine que ao longo de sua vida, você adquiriu móveis caros --- sonhos de consumo --- para mobiliar sua casa: comprou um sofá confortável de quatro assentos para melhor acomodar as visitas, uma cristaleira que só de entrar no antiquário você já estava pagando por ela, um piano meia cauda que por tanto tempo te serviu de inspiração. Aí você recebeu tantos convidados que no tal sofá se acachaparam, encheu a cristaleira de cristais, alguns até bacará, limoges, e do piano retirou sons melodiosos acompanhados por vozes que falavam de amor. Então eles passam a fazer parte integrante e definitiva da sua casa e de sua decoração. Cada peça guarda impressões que fazem parte de sua memória distante, pregressa. E você tenta se desfazer delas e elas estão lá, arraigadas, congeladas, já fazem parte de sua história, de seus ideais que foram tão importantes um dia.

Tais quais os móveis raros com seus objetos decorativos, as pessoas também ocupam seus lugares e deixam fortes impressões na gente, no coração da gente, na alma da gente. Desfazer-se desses amores, ainda que passados e das paixões, mesmo as doentias, é mais duro do que deixá-las lá quietas no seu canto. Agora me digam: coração de amante é como coração de mãe que sempre cabe mais um? Não. Definitivamente não. Agora, se o sofá rasgou-se pelo uso diário; se os vidros da cristaleira racharam ou mancharam; se no piano deu cupim, o jeito mesmo é arrancar do peito toda essa tralha com seus penduricalhos e quinquilharias para dar espaço para o novo amor. Amor embora abstrato, ocupa espaço físico na gente. Ele ocupa o peito, o coração e pior que tudo, ocupa a nossa mente. Com que descaramento ele rouba de nós o tempo que agora é ainda mais precioso porque começa a encurtar! Se for paixão então, aí ela não nos deixa nem margem para titubear, para se decidir, para aceitá-la. Ela vem de modo avassalador sem pedir licença, e com a maior cara de pau se instala em nós e aí, babau, a gente não é mais dono (a) da gente. Ela nos chega torcendo o pescoço, revirando a cabeça, fechando os olhinhos e quando você menos imagina, já é. Chega autoritária, irreverente, desrespeitosa e de repente você conclui que perdeu chave, cadeado e a corrente que protegiam o velho e combalido coração.

É, apaixonar-se dá uma trabalheira incrível. Você se relega a segundo plano, perde o controle mas o que é melhor: ela deita e rola literalmente na sua vida, porque se não deitar, não rola. Mas aqui pra nós, cair de paixão por alguém, ou mesmo por alguma atividade, ou ainda por alguma coisa é ou não é tudo de bom? Mesmo idiotisado, mesmo emburrecido por ela, ainda vale a pena dar-se mais uma chance de se ser feliz.

É. Eu acho que vou correr o risco mais uma vez. Eu vou é me apaixonar de vez

E você, como tem estado por esses dias, meses ou anos?  Está apaixonado (a)?  Quer se apaixonar?  Pense nisso e me conte.

Um forte abraço e uma bela paixão pra você.

Herbert

 

Tenho sonhado muito. E fico pensando, cá com meus botões, se sonhar não é transcender a vida também. O  sensibilíssimo  poeta Mário Quintana disse que "sonhar é acordar-se pra dentro". Concordo com ele. Também sempre pensei que sonhar está muito próximo do que é viver após a morte. Sempre pensei que se houver vida depois, ótimo. Se não houver, terá valido a pena viver apenas esta vida que é a garantida. Mas se houver um reinício, como a maioria, inclusive eu, supõe, acho que é exatamente como o que nos acontece nos sonhos: aquela coisa etérea, sem rumo, sem controle, confusa, difusa, obtusa, absurda, sobre a qual ninguém tem poder de interferir.

Às vezes acho também que, apesar de ter bastante atividades que preenchem minha vida como um todo, sempre estou reclamando da falta de tempo para fazer mais. Além disso, há uma premência, o tempo é sempre curto, a vida passa como um cometa, por mais que a gente se agarre em sua cauda, sempre há a urgência das coisas que deixamos para fazer amanhã, depois de amanhã, semana que vem, mês que vem, ano que vem, enfim, sempre para um depois que nunca chega. E aí estão incluídos os planos de começar a fazer dieta, de praticar exercícios, de arrumar os armários --- e se desfazer de tantas coisas que há um ano você não usa ---, de participar de um trabalho voluntário, de ler aquele livro de novo, arranjar uma namorada, comprar um carro melhor, mudar de casa, de cidade, de país, de vida etc., e é aí que a cabeça começa a embolar. Culpamo-nos por não sermos capazes de estarmos concomitantemente na casa do tio, do amigo, da amante; de pintar aquele quadro, de escrever aquele livro, de plantar aquela árvore, até se formar o ciclo. Fora todo o estatuto que a sociedade nos impões a seguir: não pode isso, não pode aquilo, isso não é politica, ambiental, religiosa e eticamente correto. E começamos a nos curvar sob o peso das demandas, das obrigações, das tarefas que nos são exigidas. É fogo, para não dizer outra coisa mais contundente.

Haja resiliência, haja verve, haja postura para encarar todo esse arsenal de armas apontadas para nós. Então fugimos. Fugimos pra outro lugar, baby, como sugere a música. E qual é esse lugar? Dentro de nós mesmos. E sonhamos mais e mais. Tem coisas que só no sonho, que, segundo Freud, é a realização disfarçada de um desejo reprimido, podemos dar vasão. Portanto, amigos, enquanto não dá para fazer o que queremos ou precisamos, o jeito é sonhar.

Bons sonhos pra todos vocês, que, como eu, não conseguem realizar tudo o que lhes vem à mente.

Grande abraço,

Herbert

O PRESENTE

Muito do que se retém na memória é, invariavelmente, fruto de tudo que já se viveu, ou são esquemas que o intelecto monta no sentido de um dia vê-los realizados. Essa dicotomia entre o que já foi e o que ainda vai ser ocupa 90% da massa que temos para moldar nosso dia a dia. Os 10% restantes são preenchidos com variedades que fogem ao nosso controle. Perdermo-nos em lembranças que acarretam cargas pesadas de emoções vividas, transforma-nos em vermes que rastejam pela vida afora. Ocuparmo-nos de planos que um dia podem ou não virem a ser realizados, nos mantém um passo à frente do hoje, do agora, ou seja: atolamo-nos no lixo do passado ou nos debruçamos sobre um futuro absolutamente aleatório e dependente da mão do destino. Viver o aqui e agora que deveria ser simples como a,b,c, ainda prova ser o maior desafio. Ou mergulhamos no passado ou voamos para o futuro. Mantermo-nos no presente que é a coisa que temos como certa é que são elas. Nós, humanos, nos deixamos levar por um liame invisível para o passado como se temêssemos perder o que de fato e de direito nos pertence: a detenção de uma história que não depende de algo palpável, de algo concreto para existir, e nos mantermos senhores dos nossos feitos ou desfeitos. Não falo aqui de regressões de vida ou, como nos faz crer o espiritismo, de sucessivas encarnações. Falo simplesmente do nosso passado, tanto remoto quanto recente, e de todas as implicações a que a nossa mente, sobrecarregada de impressões, nos remete. No momento imediatamente seguinte, deixamo-nos levar a um futuro absolutamente abstrato, como se déssemos linha à uma pipa que, presa por essa linha invisível às nossas mãos, faz piruetas para a esquerda, para a direita, isso quando a falta de vento não a arremessa irremediavelmente ao chão. E concluímos: que desperdício! Que forma irrelevante de viver! Nossa falta de controle do nosso presente nos deixa balançar em uma corda bamba entre o que já foi e o que possivelmente será. E em meio a essa fuga para o passado e o tropeção no futuro, perdemos o tempo mais precioso que nos é dado como presente: o próprio presente. Retermo-nos sabiamente no presente, às vezes, requer de nós, um esforço sobre-humano. Usufruir este momento exato que dura, por vezes, o tempo limitado em que inspiramos é o nosso dever, mas que subestimamos como seres incompletos e raramente racionais que somos. Retermos esse exato, exíguo e precioso espaço de tempo para desempenharmos as nossas tarefas da melhor maneira --- quer sejam profissionais, esportivas, sexuais, sentimentais ou espirituais --- ainda é o maior desafio. Concentrarmo-nos nessa fração de segundo é o primeiro exercício a que nos devemos dedicar.

Viva o presente, o momento, o já; o passado e o futuro são grandes ladrões invisíveis de nossas energias e que devem ser mantidos, a todo custo, sob eterna vigília.

Custa-me crer que já passou o Natal, o Reveillon, que perdi minha amiga mais querida, que meu aniversário já está logo ali na esquina, que já acabou o Cabofolia e que mais adiante, em fevereiro, outra vez, é carnaval.

Custa-me crer que este governo que tanto rechaçava os outros é pior que os outros. Que as CPIs não deram em nada ou quase nada. Custa-me crer que há ainda milhões de brasileiros que não têm café, almoço e jantar para com isso garantir o sono tranqüilo do nosso chefe maior.

Custa-me crer que a dengue já está de volta fazendo mais vítimas e que outras doenças endêmicas aparecerão por falta de saneamento básico, por falta de investimentos que não aparecem por não fazerem votos nas próximas eleições.

Custa-me crer que a bandidagem armada corre solta, enfrenta, ataca, dá baixa na corporação dita do bem em São Paulo. Que pessoas são queimadas dentro de ônibus na cidade maravilhosa. Que o Rio de Janeiro continua lindo mas que ir lá continua sendo uma aventura que muitos preferem não se arriscar a viver ou morrer.

Custa-me crer que tiraram o Boris Casói da telinha porque o governo era retratado de forma nua e crua e que a imagem do presidente estava sendo achacada fazendo-o, possivelmente, perder votos na próxima eleição, como se uma opinião a mais, embora de peso, mudasse o raio-x desse imenso Brasil cujas estradas parecem mais as do circuito do rali Paris-Dakar.

Custa-me crer que Ariel Sharon se esvai e se vai sem que a paz tenha sido alcançada no Oriente Médio. Que homens-bomba se explodem no Iraque em nome de Alá, levando com eles dezenas e mais dezenas de inocentes que, por infelicidade, estavam lá naquele momento de culminância humana.

Custa-me crer que eu observo atonitamente tudo isso e sinto-me impotente perante tanta tragédia rolando aqui e pelo mundo afora. Que quase nada do que sonhamos pra depois da ditadura tenha sido conseguido. Há até os que sentem saudade daquela "página infeliz da nossa história" (Chico Buarque em Vai Passar) uma vez que todas as esperanças de se conseguir ordem aliada ao progresso já se esgotaram.

Custa-me crer que a nós, "ricos" mortais, só nos resta fazermos parte de ONGs verdadeiramente sérias para amenizar a dor dos menos favorecidos, servirmos como voluntários em algumas instituições filantrópicas, partilharmos mais o pouco que acumulamos com os que precisam mais que nós, conversarmos com aqueles que não têm acesso a notícias de fontes fidedígnas para alertá-los quanto aos nosso possíveis dirigentes e por último, mas não menos importante, fortalecermo-nos como seres humanos dando e recebendo apoio pessoal e personalizado, ou até mesmo através de e-mails, de blogs, de orkuts, de torpedos pelo celular, de cartas pelo correio (por que não?). Ainda bem que temos essa maravilha que é a Internet sem a qual o mundo estaria rodando em passos de cágado.

Custa-me crer que o milênio acabou que já estamos vivendo um outro milênio, que a era de aquário chegou como já anunciavam os hippies nos anos setenta, que o Lula-lá chegou e quer ficar, que mais um Natal angustiante já era, que o Reveillon foi excitante e renovamos as velhas promessas, que minha amiga pra sempre já está com Deus, que vou celebrar mais um verão --- primavera é pros "minos e minas" --- e que o Cabofolia vai trazer uma enxurrada de energia da moçada pra cidade e que a Globeleza já rebola na telinha anunciando mais um carnaval.

Custa-me crer que já vou fazer sessenta e dois anos --- cinqüenta a mais --- depois que, aos doze, fui acometido por uma paralisia avassaladora. Custa-me crer que sobrevivi, que vivi grandes amores, ah, os amores!, que quebrei a cara muitas vezes, que fiz muita merda, mas que também fiz muitos pratos saborosos, que degustei os melhores vinhos e as piores cachaças, que me ralei, me torci, me debati, mas me livrei das esporas e das amarras, que minha alma continua voando feito gaivota ao sabor do vento sem jamais pensar que uma arma pode estar apontada para mim.

Estou envelhecendo, eu sei, mas paro e olho ao meu redor meio atônito e tenho que admitir que ao contrário de mim, a vida rejuvenesce. Olho para o céu límpido e percebo que está pintado de um azul mais vivo. Olho pro chão e vejo a grama mais verdejante do que no mês passado e que, além desse revigoramento, ela ainda está salpicada de flores que não estavam lá. Olho pro mar, esse então se renova a cada dia e tem a pachorra de não repetir uma onda sequer: todas são novas e todas desiguais. Agora, quando olho pra mim mesmo e vejo meu rosto no espelho, não me reconheço de imediato. Essas rugas não existiam: são estranhas para mim. A pele mais esticada --- sem plástica --- que até alguns anos passados compunha com firmeza uma cara bem definida, hoje ondula e pende. E os cabelos? Ah, os cabelos que rareiam e aparecem cada vez mais brancos são a minha diferença. Como não gosto deles, apesar de as mulheres acharem que são charmosos. Preferia meus cabelos castanhos sem charme mas com a cor da juventude. Se olhar mais pra baixo então... lá está ela, redonda, pontuda que se agiganta aos meus olhos incrédulos. Ela foi crescendo, crescendo tão secretamente que nem me dei conta que um dia seria uma barreira entre meus olhos e meu pinto. E ele? Ah, gravidade que não perdoa! É por isso que dizem que, com a idade, a única coisa que levanta em nós, é a gengiva.

Mas, puxando daqui, tirando de lá, eis que ele surge! Não mais com aquela cara de palhaço zombador de antigamente mas um senhor mais sério, mais cabisbaixo. Muuuuuuito menos arrogante. Tudo bem, mas é pra isso que a farmacologia está aí ao nosso dispor em cada esquina: para dar ânimo, para levantar o moral, até para ressuscitar os que se achavam fenecidos.

Não precisa olhar pra trás, entretanto, para saber que a coluna existe. O que já foi uma coluna de templos romanos, hoje diminui, se achata e achata os discos e a música que toca sai da nossa boca: ái, ái, ái... Que merda!!!

Entretanto a vida continua, linda, lépida e fagueira, recriada a cada amanhecer, indiferente aos nossos atropelos, às nossas queixas, aos nossos desgastes naturais. A única coisa que nos alenta, é que se olharmos para outros velhos e velhas (os "véio" como a molecada diz hoje entre eles mesmos --- acho que eles já prevêem o que vem por aí), percebemos que eles vão pelo mesmo caminho, como dizia meu sábio pai em sua filosofia simples, nada socrática, estão descendo a montanha também, tal qual a mim. A força é grande para não se deixar abater. A luta é contínua e renitente para não se deixar cair. Mas que o tempo passa, passa; esse é inexorável.

Agora, por outro lado, olhando pra dentro de mim mesmo, o que vislumbro? Vejo com precisão um céu onde o azul é mais azul, um mar bravio em desalinho, um gramado de futebol europeu, e flores, muitas flores pipocando daqui e dali. É bom olhar pra dentro da gente e sentir que toda a juventude permanece lá, intocável: a juventude é um estado de espírito; que toda a sua inquietação e seus questionamentos continuam agitando a mente; que nem tudo foi em vão.

Essa dicotomia entre corpo e alma de que o homem é composto é que faz da vida uma eterna fonte de prazer; um constante buscar sem nunca encontrar, uma deliciosa inquietação que não tem fim.

Envelhecer, meus velhos amigos e meus amigos velhos, nada mais é que se revirar do avesso para resgatar do fundo da alma, toda a pujança, o vigor, a esperança e a fé que fazem toda a diferença entre ser um jovem velho e um velho jovem.

Que Deus os mantenha eternamente jovens, pelo menos. por dentro.

Herbert

BOA NOVA

OLÁ,  AMIGOS,

HOJE TIVE A NOTÍCIA DE QUE  A PREFEITURA DE CABO FRIO, EM NOME DE SEU PREFEITO MARQUINHOS MENDES, IRÁ OFICIALMENTE LANÇAR MEU LIVRO JÁ QUE ACREDITAM QUE MINHA HISTÓRIA TEM MUITO A VER COM TODOS AQUELES QUE TÊM ALGUM PROBLEMA FÍSICO, SEMELHANTE OU  NÃO AO MEU.  FIQUEI EXULTANTE E QUERIA PARTILHAR COM VOCÊS ESSE MOMENTO QUE ME DEIXA FELIZ.  MILHARES DE PESSOAS CONHECERÃO MUITO DE MIM, JÁ QUE ANTES NUNCA TINHA SIDO TÃO DIRETO, TÃO OBJETIVO.  NO MEU RELATO, ESTOU LONGE DE DIZER QUE FOI FÁCIL, PELO CONTRÁRIO.  HOUVE FASES TREMENDAMENTE DIFÍCEIS QUE COM ALGUÉM,  SEMPRE COM ALGUÉM, TIVE A FORÇA PARA SUPERÁ-LA. O MAIS ESTÁ NO LIVRO QUE LOGO, LOGO ESTARÁ EM SUAS MÃOS.

UM GRANDE ABRAÇO, ]

HERBERT

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